05/03/10

na parte zero de uma montanha


na parte zero de uma montanha, reconstruiu memórias com argila. enquanto o sol lhe aquecia as costas, caminhou pelo deserto da alma. chegou ao rio noturno, onde mergulhou a cabeça para de volta erguê-la com um grito invertido. revertido o silêncio, o grito, mais alto que o de Prometeu quando a águia rasgou-lhe o tronco. sentiu a escassez, mas só o que pôde fazer foi virar os olhos para dentro. a partir daí, percebeu que a dor era mais forte do que a trindade, mais sincera do que a benevolência de deus, mais assimilável do que a música dos anjos - ah, Augusto!dos anjos foste o único a escapar das misérias de um espírito submisso - percebeu que o corte jamais cicatrizaria, seria, o ponto aguçado do corpo, a abertura para a livre circulação dos sentidos, o delirium-tremens.
Camila Vardarac