02/03/10

Redigir o mundo

Ciclo Redigir o Mundo
Autor:
Pedro Ludgero
Livro: Sonetos Para-Infantis5 Março 2010, 21h
Biblioteca de Vieira do Minho
A Casa de Cultura de Vieira do Minho inicia dia 5 de Março, às 22h, o ciclo Redigir o Mundo. Este ciclo promoverá a invenção e descoberta literária, fazendo confluir em Vieira do Minho autores contemporâneos. Uma vez por mês será convidado um autor da contemporaneidade para apresentação de livro, troca de dimensões da criação, conversa múltipla, a par com leituras dramaturgicamente trabalhadas, tenham ou não carácter performativo.
O primeiro autor convidado é Pedro Ludgero, poeta que acaba de publicar Sonetos Para-Infantis, uma obra que percorre, dentro do para-universo da memória, as intensidades da infância no sentido que Rainer Maria Rilke atribuiu a esse espaço de vida: “a infância é a pátria”. Não se deslocando dessa capital de existência a partir da qual nos vemos sempre na contingência do subúrbio, Pedro Ludgero inscreve na ludologia da para-acção primicial a nuvem branca de estar. “Para-infantil” deslocaliza-se do ludo um sem arribar ao ludo dois. Estará no interlúdio. Em cima desta ponte se inscreve o corpo poético. Alguns conceitos de peso, substância e volume animam a gradação do crescimento. De certa maneira coloca-se ao ser o mesmo que à cidade: cresceu; mas ter-se-á desenvolvido? O des-envolvimento traumático produz-se no momento do parto. Enquanto se processa a vida nascente (quase sempre ausente de ar-livre) a quantica estabelecida entre corpos e corpos, corpos e objectos, corpos e ambiente, vai instaurando um hardware que condicionará toda a existência do corpo. Raramente esse corpo se des-envolverá, através de processos descontrutivos. Uma das questões que inquietam o poeta é a criação de uma casa própria, abandonando as casas do mundo. Conhecem-se poucas casas poéticas. No actual, quando muito, o poeta abre uma fenda na casa, um postigo, uma adufa. Poderá o poeta criar luz sem olhar para fora: deixar que a luz do corpo não se interdite com os faróis instalados? (Alberto Augusto Miranda, Apresentação de Pedro Ludgero)
Além de “Sonetos Para-Infantis”, Pedro Ludgero é autor de: *Se o poema tem areia* (2001),* O fim não é o fim* (2004).