28/04/10

BIRKENAU



1.
Em birkenau vivenciei o ignóbil - a infâmia -
A dor dos cárceres - no abismo da luz - o pranto -


2.
Rendido ao silêncio - a voz apátrida - fez-se muda -
Sobre chuva matutina - extraviada - o inerte -


3.
Relembro os corpos amontoados - os dias turvos -
A sinuosa trilha - do imundo e do perverso -


4.
No casario - selado de negro - tudo se dissipa –
Ladra um cão - o martírio parece não ter fim -


5.
Quem se recosta na pedra do inimaginável –
entre as lajes húmidas - na noite constelada –
Respira a custo – nos confins do frio e da desolação ?-
Revive o anelo vão da infância - a exausta linguagem ?-


6.
Quis tornar válido o milagre - e não descobri um jeito de escapar - 

alexandre teixeira mendes