08/04/10

paisagem maravilhosa de múltiplo


Dói-me a mais dura percepção de partir espelhos diante da crua flacidez do mar. Os tentáculos vão fugindo por entre as batidas irregulares da manhã-sono na traseira do hospital. Pensei por breves minutos que o ego se tinha dissolvido na mais larga escama embarcada pelo partir das pedras no suor anónimo do desgosto. Há descuido das pessoas em cada acto involuntário que executam com a acidez máxima de um banal temperamento formatado por camadas intermináveis de seres e estares sonhados em clímax sumarento de praias. Remetem-se as legislaturas para postais de sémen e tambores de cor embalam o sangue num rebatimento salgado de delícias interditas, cambaleantes cãimbras num halo mágico de feitiçaria poluente e portais de sabre. Recordo com alguma indeterminação: um monte de tetas vai crescendo nos nossos olhos, sem que notemos a menor alteração trágica das raízes, pensamos sempre os pontos da vida tendo em conta as referências solares e muitos astros imaginários que nos vão fecundando numa ercepção partida. Gemem cargueiros intermináveis e explosões sombrias de matérias titubeantes tombadas pelo quintal. Deduzo a vida esvaziada de fracasso ou sucesso, num mero artefacto confluente de vivências absolutas e fugazes aberturas nesse quintal fechado e rodeado de arvoredo numa paisagem maravilhosa de múltiplo e cápsulas aero-espaciais e fluviais onde o humano pouco mais é que uma erva alucinada de fendadas portas de jardim e Um sopro vai desesperando por vezes no sótão quente do reflorescimento espiritual das casas.

Carlos Vinagre