07/04/10

três mais um



I

sobra de te olhar
o que no crepúsculo é demasia
se calha no que a jeito
mais convém
vem com a boca por idioma
e deixa que o sal seja
humidade sem míngua
à macieza da tua língua

II

na espera o que alcança
nunca cansa o que
no teu rosto descansa
não sabes talvez
o que o olhar vagueia
quando no repouso o pensar
é pouso pouso pouso
o sexo entredentes a sonhar

III

não aconteceu nada

IV

nada é coisa muita
uma abundância
na redondez dos teus seios
faz-se a justa equidistância
em anseios de um sul que cega
na entrega
quando na redondez do teu umbigo
sem defesa na vertigem de quem
navega
por onda ou mar aberto
me sumo se desperto
Nunca por demais é perto
E por (de)menos é sempre incerto
Se no verso primeiro acerto

Fernando Martinho Guimarães