07/05/10

do ódio de ser sozinho


cinco da manhã ainda é noite, em cada olho uma porta que só abre para dentro, a luminescência dos corredores diz miragem, a voz nos auto-falantes soa onírica, diferente das agudas flautas das harpias, diferente dos graves trombones dos elefantes, é uma voz cirrus, seda, longínqua, uma pluma paira na eternidade o tempo dissolvido, misturado ao ar do abismo, é = ilusão de estar aqui fora do corpo, caminharemos descalços pelos rochedos, ouviremos o mar sussurrando nossos nomes dormiremos nas conchas, enquanto num outro hemisfério, o cupido assa o amor na fogueira do ódio de ser sozinho.