23/05/10

por mais que chova

chove e entendemos que é preciso transcender as três etapas da lógica, burlar a lucidez e rir diante de uma arma branca o pulso nos arremessa às cartas sanguíneas, escrevemos para lembrarmo-nos, para esquecermo-nos das nossas contradições, sabemos que existimos para inexistir e não podemos deixar de sentir toda a vida que se esvai entre os dedos parturientes da loucura, nada compreendemos porque nela moldamo-nos disformes entramos no labirinto, cegos e nus tateamos as nossas faces refletem, por mais que chova, somos iluminados e corajosos, somos raios capazes de abalar o globo com a impávida tormenta que nos impulsiona ao desconhecido dentro e fora de nós brindamos, não blindamos, somos generosos e impiedosamente sinceros por respeito à imperfeição, fortificamo-nos a partir da nossa fragilidade.