28/06/10

a auto-suficiência dos narcisos

Tendo a consciência de que seu cordão umbilical era mera alegoria, o bastardo não cria vínculos com o mundo. Rompida a placenta, cai no lago das vertigens onde adquire a auto-suficiência dos narcisos, na falta de um progenitor que o valha, o espelho chama-lhe filho e, sendo este filho orfão, ambos ligam-se através da raiz líquida que os nutre com ilusão. Mas o bastardo renega o que vem, por descuido, legitimá-lo e retorna ao vazio partido em mil fragmentos exatos, brilha como heosphoros no avesso do dia, apaga-se igual ao meteoro por sua própria força anulado, para não mais transpor o passado, para não mais vir a estar, para não mais flutuar na iminência do devir: o zero é o rizoma.