03/08/10

cinza vertical

entre a imagem e a palavra
há um momento em contra-luz


cheira a cinza.
meu corpo é de cinza.
e à orla do olhar aloja-se o homem-vertical.
é cego e surdo,
e a boca cede enfaixada a mais um diagrama convexo de insânia imoral.
chove cinza sobre a cinza do meu corpo.
e os ossos desfazem-se em mercúrio.
o homem-vertical rasteja a maresia obscurecida do sorriso
e à inquietude do diafragma antecipa-se o derradeiro final.