15/08/10

O fim acometesse às sombras


sábias e fátuas as mãos prolongam uma fé intemporal
e marcam a focagem dos templos

órgãos param nas veias e a respiração
estonteante e melancólica sobre leva a peregrinação

hospitalizada a mancha escurece e a cama branca deita-se sobre teus ombros
de esposa delicada

branca, muito branca, a espera da alma em líquido brota da janela deste santuário
opaco e belo

assim aguardo que me leves com frutos com aves e na mais leve das ascensões derrames um sol

deixo a figueira e os seus frutos os gatos e um cão e as folhas brancas deste dormitório em pedra

sem saber se a voz que escuto é a da luz ou das trevas
mas vou
contemplando as ardósias e o desenho no chão.

aurelino costa