28/11/10

Ex-Creta: no selim do obradouro

Uma rapariga gelada, metida numa canção electrónica, lê incessantemente a folha cor-de-tabaco. Saíra da inundação completa, desse lugar onde todos choravam nela convertendo-a em peixe de lágrimas bloqueadas. Ao peixe só é permitido chorar depois de pescado. Chora no ar por breves segundos até entrar no paraíso náutico. É muito pouco tempo para verter o recalcamento elemental.

À parte, num elemento de fundo TuTambém, Alexandre mostrava o resultado da sua investigação ao colapso “Ex-Creta” que Virgílio selara durante alguns anus. Sobre a mesa, colorida por mangalhos assépticos e prosopopeias de alto valor calórico, o artesanato era constituído por pipetas (uma delas seria capa da obra) numa ebulição concorrente com o aparelho de ar condicionado. Tratou-se de um Obradouro fértil em histerias mudas diante do inibidor capacho público. Não se ouviu um gás, tinham ensaiado as contenções e exibiam agora uma frugalidade gástrica desconcertante. Só a boca de um tenro bicho protestava contra aqueles estenfermos.

Na autocrítica nocturna, depois da ida à botica para tomar Gogol, o ajuntamento ex-cretou e dis-creteou fora do assento e dentro do assunto: a urzência consistia em reconhecer a verdade e dar-lhe absinto: perante as árvores escravizadas no cimento do passeio e delas tendo todo o seu (a)poio, decidiu-se por liverdade a criação da Associação Portuguesa de Excritores. O polícia gramatical corrigiu para Excretores. Mas a Dria, que nunca gostou de trela, deitou-se a rebolar naquela erva que não existia. Ladrou que se tinha iniciado outra coisa: a Excrita. O Excretor-mor, Virgílio, estava radiante, sobretudo porque não ouvia estas administrações. Mas lá no buraco, lá no fim, soltou: É preciso criar a Associação Portuguesa de Excritores e difuminá-la!   

alberto augusto miranda