14/11/10

A Mochila de Machado


A mochila de Machado, carbonizada pelas labaredas verdes servidas em sólido na apanha, vomitou o conteúdo de geometria. Rôta de rotas assobiava em êmbolo as virações rotundas e a ondulação que a voltou a coser em Roterdão diante de um mar sufocado de roxo.
O transportador levava o corpo cheio de criações. Deitava-as fora uma a uma e, por piedade consigo, incrustava-as num papel para se sustentar da depressão pós-coito. Derrota em derrota, o transportante semeou de criações as searas de van gogh. Ao contrário de Rossetti não as desenterraria para uma masturbação retardada. Desenvolvera a fobia do enquadramento: apavorava-o ser, e ser a moldura do esplendor, ou um colonial apropriando-se das paisagens.
E esta Leire em Pontepoetica?, mugiu António Frolán no cortelho da negra sombra. Um home é unha leire, mais ben uma carretada, un desafio de chiares de carros de bois. Eu son quen de facer poemas para as miñas nenas pero nunca fun de facer poemas às vacas, recoñeço nom amarlas, a criaçom me perdoe.
Na rua do Pracer, aproveitando a chuva, um choro enorme ficou pairante entre a dispersão. Manuel chorava o seu ego com entusiasmo de conficcionário. Entre uma cruz e uma rosa, Leira chã trazia as suas cangas para cavalgar sobre a brétema onde não havia ninguém.
O fim, coisa que deixou de existir arruinando muitos negócios, embora permaneça como verdade instável, esteve ali declarado pelos disparos de Carlos Silva. Morreram todos como as imagens-lápide demostram. A morte é a mochila de Machado.
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